Síndrome pré-menstrual

Síndrome pré-menstrual

Conceito

Há várias definições para a síndrome pré-menstrual que se baseiam, sobretudo, na sintomatologia.

Síndrome pré-menstrual é o surgimento cíclico e repetido de sintomas psíquicos (emocionais) e físicos que se iniciam em qualquer dia da fase lútea (em geral tardia) e desaparecem com o fluxo menstrual. Às vezes já desaparecem no primeiro ou no segundo dia, outras vezes, só com o fim do fluxo. A duração dos sintomas é variável individualmente e, na mesma paciente, de ciclo para ciclo. O que importa saber também é que estes sintomas quase nunca desaparecem a não ser com a insuficiência ovariana (menopausa e ooforectomia). Certas mulheres queixam-se dos sintomas já na época da ovulação. Depois eles desaparecem para ressurgirem alguns dias depois, só terminando mesmo com o fluxo menstrual; mais raramente, vão da ovulação à menstruação.

É também chamada de síndrome de tensão pré-menstrual, de disforia da fase lútea tardia e de síndrome ovariana cíclica.

Sintomatologia

Entre os sintomas emocionais, citam-se labilidade afetiva, irritabilidade (como pouca paciência e raiva), ansiedade, depressão (choro fácil, sentido de infelicidade, desesperança, autodepreciação – tipo “blues” pré-menstrual, a perda momentânea do interesse pelas próprias atividades), insônia, sonolência, enxaqueca, alteração de apetite (desejo forte por carboidratos e, principalmente, por chocolate), disfunção sexual, idéias de suicídio (a maior parte deles ocorre no pré-mênstruo).

Estes sintomas precisam desaparecer com o fluxo para que se possa rotulá-los como pertencentes à síndrome pré-menstrual. Do contrário, trata-se de algum distúrbio psiquiátrico pré-existente com piora antes da menstruação.

Entre os sintomas físicos destacam-se o aumento de peso, das mamas por edema (mastalgia), do volume abdominal (distensão gasosa) e dores osteomusculares (lombossacralgia). Pode haver simplesmente piora de sintomas físicos pré-existentes, como por exemplo, enxaqueca crônica, pruridos e outras reações alérgicas, bronquite asmática e surto de herpes genital. Também podem ocorrer outros sintomas como diarréia, piora da constipação intestinal, hipoglicemia e crises convulsivas. Em particular, destaca-se o prurido vulvovaginal que quase sempre deve-se á levedurose crônica. O sintoma surge só no pré-mênstruo desaparecendo com o fluxo.

É importante ressaltar que não há necessidade de existirem todos os sintomas. Pode haver sintomas só psíquicos ou só físicos.

Etipatogenia

Pode-se admitir que a síndrome pré-menstrual só ocorre nos ciclos ovulatórios, portanto, quando há progesterona junto com estrogênios. Não se deve a teores mais baixos ou mais altos de progesterona e nem tampouco de estradiol. Pode se dever às alterações na fase periovulatória (pico de gonadotropinas e de estradiol) mas a presença da progesterona é obrigatória.

Alterações hormonais (gonadotropinas e esteróides sexuais) promovem distúrbios neuronais (neurotransmissores) e renais (aumento de reabsorção de sódio). Diversos neurotransmissores (serotonina, dopamina, norepinefrina, endorfina, indolaminas, melatonina e GABA) e as prostaglandinas interferem no estado psíquico (humor e comportamento). Assim, suas oscilações, no cérebro, podem provocar euforia ou disforia (irritabilidade, ansiedade, atitudes agressivas etc). A concentração cerebral destes neurotransmissores é influenciada pelos hormônios sexuais. A progesterona é GABA-agonista e tem efeito diazepínico-símile. Os estrogênios aumentam a atividade cerebral. De todos, a maior importância recai sobre a serotonina, que se encontra baixa, e sobre as endorfinas. A ciclicidade dos opióides pode provocar esta síndrome em estudo.

É natural que a sintomatologia psíquica possa sofrer agravos de acordo com o estado emocional, ou seja, é influenciada por fatores exógenos.

A queda estroprogestativa que precede a degradação endometrial seria a causa das enxaquecas pré-menstruais.

Os estrogênios e a progesterona promovem via aldosterona, maior retenção de sódio e de água, daí a retenção hídrica.

Pode haver diminuição do magnésio (aumenta a sensibilidade ao estresse) e também do cálcio.

Diagnóstico

É feito pela anamnese. Não há necessidade de qualquer exame subsidiário.

Tratamento

Só é feito se a intensidade dos sintomas assim o exigir.

Varia de acordo com os sintomas, mas é de fundamental importância explicar detalhadamente à paciente o quadro, em particular esclarecer que é doença que não se cura sem medicação e que o tratamento de um ciclo não é suficiente mas sim de todos os ciclos, talvez até a menopausa.

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